MATÉRIAS – WEBJORNAL

Saga “O Guia do Mochileiro das Galáxias” ainda é pop e inspira novos aplicativos

Série originou o Dia da Toalha, comemorado no mesmo dia do Orgulho Nerd, além de virar um guru para inovações hi-tech… Não entendeu? Não entre em pânico!

Bruna Hirano

“O Guia do Mochileiro das Galáxias” é um clássico da ficção científica que encantou gerações desde que foi lançado, na década de 70. Na série de livros, a toalha é essencial na bolsa de qualquer viajante do espaço e, por causa disso, ela se tornou um grande símbolo nerd, que deu origem à homenagem. A ideia é que todos levem consigo uma toalha para todos os lugares durante o dia 25 de maio.

“Não entre em pânico” é uma das frases mais famosas do livro e está estampada, inclusive, no próprio Guia do Mochileiro das Galáxias. (Créditos: Bruna Hirano.)

O interesse dos fãs pela ciência

A saga, além de contar com altas doses de bom humor em todos os livros, instiga o interesse dos leitores na ciência. Para Rafael Gardiolo, 20 anos, fã da obra, os livros se apropriam de vários conceitos teóricos para conduzir a história apresentando-os sempre de uma forma atrativa: “Sem dúvidas, a maior importância da saga de Douglas Adams para meu interesse na ciência é a capacidade de mostrar que ela pode ser bem humorada e que se trata apenas de uma ferramenta para dialogar sobre nossa sociedade”.

Já Bruna Brasil Galindo, 21 anos, designer gráfico e participante de um grupo no Facebook dedicado aos fãs da saga, afirma que os livros de Adams a fizeram questionar se seriam possíveis inovações tecnológicas como as existentes ali. “O peixe babel seria uma inovação tecnológica gigantesca e me fez pensar: será um projeto possível? Até consultei o Google para saber a probabilidade da criação de uma tecnologia assim. Navegar pelo universo criativo do Adams, sem dúvida, fomenta o interesse por ciência, é exercício e convite para novas possibilidades”.

Além de levar o seu interesse para a ciência, a série de livros também faz Bruna pensar sobre a relação do ser humano com o Universo. “O livro consegue criar essa consciência de que somos parte do ‘fantasticamente imenso’ universo e ainda estamos como coadjuvantes. Tenho a impressão que o ‘don’t panic’ (não entre em pânico) são palavras de conforto do autor, pois ele sabe o quanto é indecifrável o universo e o quanto isso é assustador para nós, humanos, que estamos buscando respostas sobre a vida, universo e tudo mais”, explica.

A saga é composta por cinco livros. Créditos: Bruna Hirano

Reflexões acerca do indivíduo e o Universo

De acordo com o professor de História Eduardo Lima, uma das principais críticas do livro é a de como o nosso planeta e nós, seres humanos, somos insignificantes perante a imensidão do Universo. Outra crítica que o professor observa é aquela direcionada ao consumismo e à busca pelo dinheiro para alcançar a felicidade. “Com as críticas, o livro quer passar a ideia de que o homem está sozinho. Nosso planeta é extremamente frágil, nossa vida é extremamente curta, nossa existência é um mero acaso. Somos primatas, formas de vida baseadas em carbono, um dia não estaremos mais aqui, como o próprio autor do livro, Douglas Adams, não está. Nossa vida passa de repente e, por isso, vamos aproveitá-la bem, vamos fazer amigos, sair por aí. Afinal, nunca saberemos quando os vogons chegarão para demolir a ‘nossa casa’”, aconselha o professor, em referência aos vilões do livro.

Tecnologia baseada na saga

O “Guia do Mochileiro das Galáxias” também inspira diversos meios de tecnologia: aplicativos, aparelhos e jogos. Recentemente, a BBC lançou uma nova edição do game. A versão digital é comemorativa ao 30º aniversário do jogo. Para que ele comece, é necessário inserir comandos e a grande dificuldade do jogo é que não há gráficos (apenas poucas ilustrações), nem sons, sendo que toda a história é narrada textualmente.

O jogo está disponível no site da BBC UK. (Créditos: Reprodução – BBC UK.)

Outra tecnologia baseada na saga é o novo microfone da Disney, que permite transformar a mensagem de voz em um sinal transmitido pelo toque. A maneira em que o microfone funciona é simples: o usuário deve sussurrar a mensagem no aparelho e, em seguida, com um toque na orelha do receptor, ele consegue captar o que foi dito. Conhecido como Ishin-Den-Shin (termo que se refere a telepatia, em japonês), o aparelho capta o som e o reconfigura em um sinal de alta voltagem e baixa corrente (o que o torna inaudível), que é irradiado de volta para o corpo do microfone e somente quando há o toque na orelha do receptor que o sinal vibra o lóbulo do ouvinte e funciona como alto-falante para, enfim, transmitir a mensagem.


SEM PERMISSÃO, FACEBOOK FAZ EXPERIMENTO COM USUÁRIOS

Rede social maipulou o feed de notícias para entender o comportamento emocional do internauta

Bruna Hirano

Em junho, o Facebook, a maior rede social do mundo, admitiu ter feito um experimento no início de 2012 com cerca de 690 mil internautas, sem o consentimento deles. A experiência consistia em manipular o feed de notícias dos internautas com o objetivo de descobrir como as mensagens publicadas na rede social influenciavam o humor dos usuários, até mesmo aquelas publicadas por eles mesmos. Aqueles que tiveram o feed manipulado mostraram-se mais propícios a utilizarem palavras positivas em suas publicações quando foram expostos a um conteúdo mais positivo e palavras negativas quando expostos a um conteúdo mais negativo, fato que evidenciou o efeito conhecido como “contágio emocional”.

A pesquisa  culminou em questionamentos éticos por parte dos usuários da rede e por especialistas do mundo todo. Luis Bei é mestrando em Social Media & Community Management pela IEBSCHOOL da Espanha e  e  fundador do blog Social Media News. Para ele, as empresas jamais poderiam fazer isso, uma vez que é antiético a rede social se tornar uma ferramenta para testes e teses, mas todos têm o direito de excluir a conta a qualquer momento. “A partir do momento em que escolhemos fazer parte desses espaços, automaticamente permitimos a visualização de nossas informações por diversas empresas, em sua maioria, anunciantes, mas também pela própria desenvolvedora da rede, nesse caso, o Facebook. O que parece é que ninguém se importa com esses ‘efeitos colaterais’ ao utilizar as redes sociais, ou, até se importam, mas não dão a devida importância a isso”, explica.

Manipulação de emoções pelo o Facebook: uma empresa pode manipular as emoções de usuários? (Créditos: Bruna Hirano)

A importância de conhecer seus internautas

É importante que as redes sociais conheçam melhor seus usuários, o que possibilita estabelecer alterações e melhorias no próprio site, porém, sem excessos que levem a pesquisas e testes sem o consentimento dos próprios internautas. Para isso, há várias opções simples, muitas delas gratuitas.

A principal ferramenta utilizada para descobrir o perfil dos internautas é o Google Analytics. A ferramenta é gratuita para sites com até 10 milhões de acessos mensais. Seu modo de configuração é bem simples: é preciso inserir o código que o Google Analytics fornece ao proprietário do site ou blog em questão; após inserido, a ferramenta começa a rastrear os acessos do site, suas origens, região, perfil dos usuários e outros indicadores.

Além do Google Analytics, há o Moz Analytics e o Webalizer. Já para redes sociais, existem o Scup (empresa brasileira), Hootsuite, entre outros, além das próprias ferramentas oferecidas pelas redes sociais – no caso do Facebook, existe o Facebook Insights.

De acordo com Bei, é crucial que o site conheça bem seus usuários e hábitos, para oferecer o melhor produto, serviço, atendimento ou conteúdo. “Um dos adventos da internet é que, pela primeira vez na história, podemos ter acesso a diversos dados qualitativos e quantitativos sobre nossos usuários praticamente em tempo real e, baseados nesses indicadores, podemos rever processos e tornar o site ou blog mais atrativo ou funcional para os visitantes”, conclui.


SÉRIE ESPECIAL – VIDA NO ESPAÇO SIDERAL: OS TARDÍGRADOS

Primeiros animais a sobreviverem no espaço, eles  ajudam a compreender a existência de seres que estão à frente na evolução

Bruna Hirano

Em abril, a NASA descobriu um novo planeta habitável, fora do Sistema Solar. Nomeado de Kepler-22 b, o planeta gira ao redor de uma estrela semelhante ao Sol, possui um ano com duração de 290 dias e se encontra com uma zona habitável, ou seja, possui uma região com condições de existência semelhantes a da Terra.

Encontrar um planeta habitável é uma das tarefas mais difíceis da pesquisa espacial. Mas antes da descoberta do Kepler-22 b, o estudo das condições de existência no espaço já recebe a ajuda de seres vivos da Terra lançados para fora do planeta, e que têm suas condições de existência analisadas. Um exemplo são os Tardígrados.

Animais imortais

Conhecidos popularmente como Ursos D’Água, os tardígrados vivem em ambientes aquáticos e semiaquáticos, pois dependem de água para sobreviver e completar todos os estágios do seu ciclo de vida. São muito pequenos, com a variação de tamanho entre 50 µm (micrometros) até no máximo 1,2 mm. Acredita-se que eles possuem afinidades com o filo Artrópode (insetos, crustáceos e aracnídeos), apesar de suas relações evolutivas ainda não serem completamente compreendidas.

Uma das características mais impressionantes dos tardígrados é a sua capacidade de resistência. São capazes de sobreviver em ambientes em que a quantidade de água nem sempre é permanente. “Para sobreviver, foi necessário que ao longo do processo evolutivo o organismo desenvolvesse mecanismos fisiológicos para suportar as condições vigentes” afirma Edivaldo Lima Gomes Jr., mestrando do programa de pós-graduação em Biologia Animal pela Universidade Federal de Pernambuco e integrante de um grupo de pesquisa sobre os tardígrados.

Não é possível ver um tardígrada a olho nu (Foto: Mike Shaw)

Resistência

Quando o tardígrado encontra algum problema no ambiente que possa afetá-lo, ele entra em um estado extremo, de criptobiose. “São diversos mecanismos, onde o animal desidratado toma a forma de um barril e todos os sinais externos de atividade metabólica tornam-se imperceptíveis.”, afirma Lima Gomes Jr. Com isso, várias adversidades são superadas, como a falta de oxigênio, a grande variação de temperatura (acima de 140°C e abaixo de 270°C) e até a falta de água. E por causa disso, ele pode por cerca de 120 anos, dando origem ao seu apelido de “ser imortal”.

Viagem ao espaço

Em 2007 foi realizado um experimento em que os tardígrados foram enviados ao espaço. Surpreendentemente, eles conseguiram suportar o vácuo, a radiação ultravioleta e raios cósmicos do espaço, sobreviveram e ainda se reproduziram.

O Tardígrado também é connhecido como Uso D´Água (Foto: Mike Shaw)

Sendo capazes de sobreviver às condições espaciais, os tardígrados são fortes aliados para pesquisadores estudarem as condições de sobrevivência no espaço. “Esses animais proporcionam uma oportunidade para estudos de resposta de organismos multicelulares no espaço. Uma das intenções destas pesquisas é testar a transpermia, hipótese que acredita que organismos podem viajar de um planeta para outro em rochas, sendo esta uma possível origem para a vida na terra” explica Edivaldo.

Importância e estudos do DNA

A estrutura metabólica do tardígrado também é importante para estudos do DNA: “Pesquisas investigam a capacidade demonstrada pelos tardígrados de reconstituição do DNA durante a volta as atividades metabólicas normais após os períodos de criptobiose, o que poderia ser de extremo interesse para aplicação em biotecnologia e na medicina”, esclarece o pesquisador.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s