MATÉRIAS – REVISTA EXPERIMENTAL POP UP!

Matérias produzidas para a revista experimental POP UP!
Confira a diagramação das páginas aqui.
Confira a revista completa aqui.

 




“Você já questionou a natureza da sua realidade?”

Westworld, nova série da HBO, nos faz questionar sobre a relação entre humanos e andróides

        Bruna Hirano

Imagine a seguinte situação: você está cansado da sua rotina, do seu emprego, dos seus amigos, da sua realidade. Resolve mudar de vida pelo menos por alguns dias. Então descobre que existe um parque em que você pode viver aventuras e construir histórias com personagens-robôs com inteligência artificial que estão inseridos no ambiente, como em um jogo de RPG. Tudo isso por uma grande quantia de dinheiro. Tentador, não? Essa é a trama base de Westworld, série da HBO que estreou em outubro de 2016 e pretende substituir Game of Thrones. Criada por Jonathan Nolan, Lisa Joy e J. J. Abrams, a série se passa em um futuro tecnologicamente avançado, onde a realidade se torna desinteressante para os humanos. Como forma de escapismo, o parque Westworld é uma opção bastante atraente.

No parque, os visitantes (como são chamados os humanos) podem agir conforme seus desejos, sem serem punidos. É possível ferir e até matar os anfitriões (andróides) que não passam de mercadoria para os visitantes.

De forma fixa, os anfitriões seguem linhas narrativas programadas para cada um deles – cada um tem a sua função e história no parque. Sua programação também faz os visitantes acreditarem que aquela é a vida deles, sem terem a consciência de que fazem parte de um comércio em que são apenas produtos para a diversão e entretenimento dos humanos.

Mas em como todo filme e série sobre o tema, em certo momento, os anfitriões começam a ganhar consciência sobre quem são e o que estão fazendo. É nesse momento que o plot central da série se inicia, assim como os questionamentos na cabeça de quem está assistindo.

Consciência x existência

Desde o episódio piloto, fica evidente que Westworld é uma série que trata sobre a consciência e existência, tanto dos humanos, quanto dos andróides. Ao decorrer da série, há um contraste entre seres humanos que vão perdendo a sua humanidade e se tornam cada vez mais mecânicos versus seres mecânicos que se tornam cada vez mais conscientes e donos de sentimentos “humanos”. Todo o plot da série nos faz lembrar da famosa frase existencialista de René Descartes: “penso, logo existo”. O filósofo afirmava que o próprio ato de duvidar comprovava a existência daquele que duvidava. Sendo assim, a partir do momento em que os andróides começam a questionar a sua realidade, eles passam a existir, a serem donos de sentimentos e atos que já não são mais programados pelos humanos e sim pela a consciência que ganham.

Humanos x Andróides

Mesmo sendo uma obra fictícia ela nos faz pensar bastante sobre a nossa realidade atual e, principalmente, sobre o futuro. Será que um dia os andróides irão viver normalmente com os humanos? Será que terão sentimentos? Será que é possível a inteligência artificial dominar os humanos?

Abner Rocha é estudante de Filosofia e espectador da série e afirma que os episódios conseguiram deixar não só teorias sobre a trama, mas também sobre o futuro da sociedade em relação aos robôs. Ele afirma acreditar que em algum ponto do futuro, andróides conviverão normalmente com os humanos, seja prestando serviços para nós ou até como apoio emocional, como um “amigo”. Ao ser questionado sobre “a dominação dos robôs” que os filmes e as séries tanto abordam, Abner não descarta a possibilidade, mas julga que se acontecer não será de forma violenta como é retratado na ficção. “Não duvido que nas próximas décadas os robôs sejam capazes de criarem outros robôs, creio que o receio será justamente desconhecer as funções e propósitos destes robôs, já que não foram criados e programados por humanos”, conta.

No parque Westworld, os humanos não precisam vestir uma máscara de “bom cidadão” e nem praticar boas ações para melhorar a visão de como todos os enxergam, eles são livres para exibirem sua natureza, que normas sociais, religião e leis os forçam a esconder. Por isso, Rocha nos conta que se houvesse um parque desse tipo nos dias atuais, as pessoas provavelmente iriam se descobrir ali, o meio em que elas estariam inseridas permitiriam que elas pudessem fazer tudo o que foi impedido na vida real, portanto, assim como o personagem “Homem de Preto” afirma na série, Abner concorda que o parque intensificaria o que as pessoas realmente são.

A série teve o seu último episódio exibido em dezembro de 2016. “The Bicameral Mind” trouxe respostas para os espectadores ao mesmo tempo em que implantou novas dúvidas. O público terá bastante tempo para discutir a série e criar teorias para a segunda temporada, já que ela só volta em 2018. Até lá, ficamos com os questionamentos que a série nos deixou. Afinal, questionar é existir, não é mesmo?

Olho: “Não podemos definir a consciência porque a consciência não existe. Os humanos acham que há algo de especial na forma como entendemos o mundo, e ainda assim vivemos em círculos, tão apertados e fechados quanto os anfitriões, raramente questionando nossas escolhas, satisfeitos, em sua maior parte, a sermos informados sobre o que fazer em seguida.”

– Robert Ford

BOX 1: Você conhece as três leis da Robótica?
1º Um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal

2º Os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei

3º Um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores

BOX 2: POP UP! Indica:
Filmes com inteligência artificial

2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)
O Exterminador do Futuro (1984)
Matrix (1999)
O Homem Bicentenário (1999)
Eu, Robô (2004)
WALL-E (2008)
Ela (2013)
Ex_Machina: Instinto Artificial (2015)



A importância da paleta de cores no cinema e na TV

Veja como as cores ajudam a transmitir emoções ao espectador

          Bruna Hirano

 Você já percebeu a influência das cores em como uma mensagem é passada ao público? Seja em filmes ou em séries, as cores utilizadas nas telas não estão ali por acaso. O diretor de arte, junto com o diretor de fotografia e colorista, definem os tons de cores que irão ser utilizadas ao decorrer do filme. Esses tons formam a paleta de cores, e elas servem para criar estímulos imperceptíveis no espectador, transmitir climas, emoções, gerar expectativa para as cenas e também direciona toda a cenografia, figurino e objetos presentes na tela.

Embora muitos diretores utilizem a psicologia das cores para criar uma estética visual que emociona o público instintivamente (por exemplo: vermelho significa violência e amor), não há forma certa ou errada de usar as cores. Elas podem ter diferentes significados de acordo com o estilo de filme em que estão inseridas. Assim como nem sempre uma cor é atribuída a apenas um gênero de filme. Todos os filmes precisam de suas próprias paletas de cores para reforçar suas ideias para o espectador.

O Grande Hotel Budapeste (2014) – Diretor: Wes Anderson

Wes Anderson é conhecido como o queridinho das paletas de cores no cinema. Em “O Grande Hotel Budapeste”, quando as cores em tons pastéis aparecem, normalmente os personagens estão criando algum plano para enganar oficiais ou seguranças, já que as cores em tons pastéis remetem à infância e acabam sendo interpretadas como “inocentes” aos olhos dos guardas e os personagens conseguem progredir com o plano de fugir. Esses tons mais leves (como rosa e lilás, na cena acima) também representam a inocência do amor de Zero e Aghata.

O Regresso (2015) – Diretor: Alejandro González Iñárritu

As cores também podem nos ajudar na compreensão da temperatura de uma cena. Em “O Regresso”, filme que deu a estatueta do Oscar ao Leonardo DiCaprio, observamos uma predominância de tons frios (azul, cinza, branco) que reforçam a ideia de frio e isolamento que o enredo conta.

Mad Max: Estrada da Fúria (2015) – Diretor: George Miller

Já em “Mad Max: Estrada da Fúria”, vimos diversas cenas de ação frenéticas e explosões, com isso, o filme ganha uma paleta mais “quente” de cores (diversos tons de laranja e marrom, azul petróleo), que reforçam os conceitos exibidos durante o filme.

Harry Potter e as Relíquias da Morte (2011) – Diretor: David Yates

Na saga “Harry Potter”, conforme a história vai se tornando mais sombria, filme a filme, a paleta de cores vai ganhando tons mais frios, como preto, azul, verde-escuro e cinza.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004) – Diretor: Michel Gondry

A paleta de cores em tons pastéis do filme sugere a ideia de nostalgia e memórias, exatamente a trama que o filme aborda.

Drive (2011) – Nicolas Winding Refn

Em “Drive” as cores recebem muito contraste, o que remete à identidade do diretor Nicolas Winding Refn. As cenas de seus filmes geralmente têm uma predominância de uma única cor: vermelho, dourado, azul, sempre em tons saturados. Considerado o “salvador do cinema neon”, o diretor traz essa estética aos seus filmes por causa da sua condição: em entrevista ao IMDB, o mesmo afirmou ser daltônico e que “não vê cores médias, por isso seus filmes são tão contrastados. Se fossem de outra maneira, ele não as veria”

  • As cores no mundo das séries: Paleta de Cores em Breaking Bad

Você lembra de Breaking Bad? A série se torna ainda mais interessante quando prestamos atenção nas cores que foram utilizadas em suas cenas e figurinos.

Na série, o criador Vince Gilligan pensou muito bem na parte estética para a composição de seus cenários e até figurinos dos personagens, na intenção de passar um significado e uma mensagem para o seu telespectador. Por cada tom escolhido das roupas dos seus personagens, há um significado. Vince Gilligan e a figurinista da série, Jennifer Bryan, trabalharam juntos em todos esses significados.

Começando pelo personagem principal, Walter White, ao ser diagnosticado com câncer, o personagem passa a usar roupas com tons mais fortes e até preto. A designer Mariana Iamaguti conta que as cores dão o clima da história e servem como elementos semióticos para mostrar o desenvolvimento de um personagem. Por exemplo, quanto mais o personagem Walter White se envolve com a metanfetamina, suas roupas ficam com mais tons de azuis. Já a esposa do personagem, Skyler White, começa usando bastante azul na primeira temporada, que representa a pureza e lealdade. Quando começa a descobrir os segredos do seu marido, as cores vão se intensificando e se tornam azuis escuros e roxo. Quanto mais ela se torna cúmplice dos crimes do marido, mais escuros os tons das suas roupas ficam. Ainda em relação ao personagem Walter White, Mariana conta que na famosa cena em que ele se revela “mal”, o personagem vai tirando as roupas e cada camada de roupa é mais escura do que a anterior, revelando como ele se transformou ao longo do tempo, se aproximando cada vez mais do “bandido”.

Já Jesse Pinkman, parceiro de laboratório de Walter White, usa a maior parte do tempo tons vermelhos, que representam a violência e raiva do personagem. Além dos personagens centrais, esse jogo de cores existe também nos secundários, como os tons de roupa de Walter Jr., o filho do casal, que refletem claramente o apoio a cada um dos pais, de acordo com a época. Quando o filho apoia mais o pai, Walter White, usa tons mais parecidos com os dele, já quando apoia a mãe, Skyler White, usa tons de cores mais parecidos com os dela.

Podemos perceber que o autor da série utilizou propositalmente os significados das cores (vermelho: violência, azul: confiança e lealdade, preto: poder e luto, etc.) nos tons de roupas de seus personagens, conforme as temporadas passavam e as situações mudavam. Com isso, o telespectador inconscientemente recebia uma mensagem extra, além da verbal, do discurso que o autor queria expor. Além dos figurinos, é importante ressaltar o uso das cores nos cenários. Quando a cena era composta por muita violência, o vermelho predominava na tela, seja nos figurinos ou em objetos da cena.



5 Graphic Novels para quem quer entrar no mundo dos quadrinhos sem ser de super-heróis!

Essas histórias vão inspirar o leitor a conhecer esse universo rico das HQs

Bruna Hirano

Vamos deixar o mundo dos super-heróis um pouquinho de lado? A equipe da POP UP! listou cinco graphic novels para quem tem interesse em começar a ler histórias em quadrinhos.

BOX – Qual é a diferença entre HQs e Graphic Novels?

Graphic Novels são histórias contadas em uma única edição, elas começam e terminam em apenas um volume. É como um livro contando uma história completa com imagens. Já as HQs são histórias contínuas que se dividem em edições diferentes, aquelas revistinhas mais finas que você vê nas bancas, sabe? Vale lembrar também que o termo HQs (histórias em quadrinhos) é utilizado para caracterizar todo o estilo.

1- Daytripper – Fábio Moon e Gabriel Bá

Nesta HQ, acompanhamos a vida de Brás de Oliva Domingos, um jornalista que escreve obituários e sonha em se tornar um grande autor de sucesso, como foi o seu pai. Em cada capítulo acompanhamos momentos cruciais da vida de Brás. Observamos seus sentimentos em relação à vida em cada fase, e o final do capítulo sempre nos surpreende com uma dose de fatalismo. Você com certeza vai gostar da leitura caso admire e dê valor aos momentos preciosos da vida.

2- Retalhos – Craig Thompson

Com muita sensibilidade e arte simplista, Craig Thompson conta a história de sua vida nesta graphic novel. Desde sua relação com o irmão mais novo na infância, passando pelo seu primeiro amor na adolescência, Raina, que muda a sua visão de vida, até um ponto de sua vida adulta. São 592 páginas inspiradoras que mostram a trajetória deste notável autor.

3- Maus: A História de Um Sobrevivente  – Art Spiegelman

Considerado um clássico no mundo dos quadrinhos, vemos a história de VladekSpiegelman, judeu-polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, sendo contada para o seu filho, Art. De forma diferente das histórias sobre o tema, a HQ retrata as pessoas como animais: judeus como ratos, nazistas como gatos, poloneses como porcos e americanos como cachorros. “Maus” é um relato real, impactante e perturbador que evidencia a brutalidade que foi o Holocausto. Vale lembrar que a história ganhou o Prêmio Pullitzer de 1992.

4- Scott Pilgrim Contra o Mundo –Bryan Lee O’Malley

Se você está nos seus vinte e poucos anos, provavelmente vai se identificar com Scott Pilgrim. Ele é jovem, preguiçoso, tem uma banda de garagem e está perdido no início de sua vida adulta. Durante todas as edições, percebemos o personagem contestando sobre a responsabilidade de se tornar adulto. Scott se apaixona por Ramona Flowers, entregadora da Amazon, mas para ficar com ela, ele precisa derrotar seus sete ex namorados. As batalhas são como partidas de vídeo-game. Uma história interessante para quem gosta do mundo nerd.

5- Pílulas Azuis – Frederik Peeters

De forma leve e descontraída, vemos a história de Cati, portadora do vírus HIV, com Frederik Peeters (autor da HQ). Acompanhamos o cotidiano de uma relação que é transformada pela doença: seu descobrimento, aceitação, forma de lidar e verdades duras e surpreendentes sobre o assunto. O que ajuda a entender e desmistificar a doença. Apesar de tratar de um tema mais sério, o autor não dispensa o humor e a leveza em sua narrativa, evidenciando que é possível viver com o vírus e construir uma história de amor.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s